Garimpo no Pará expõe disputa entre riqueza mineral, fiscalização e riscos ambientais
O Pará está no centro de uma das discussões mais sensíveis da Amazônia: a expansão do garimpo e seus impactos sociais, ambientais e econômicos. O Estado concentra áreas expressivas de extração mineral, com destaque para ouro, diamante e manganês, em regiões como a Província Aurífera do Tapajós, o entorno da BR-163 e o sudeste paraense.
No Tapajós, municípios como Itaituba, Jacareacanga e Novo Progresso estão entre os pontos mais associados à atividade garimpeira. A região reúne áreas em processo de regularização na Agência Nacional de Mineração, mas também enfrenta denúncias e operações contra a mineração ilegal, especialmente em rios e territórios próximos a comunidades tradicionais.
Dados do MapBiomas mostram que a Amazônia concentrava, em 2022, 92% de toda a área garimpada do país, com 241 mil hectares. O levantamento também aponta que 77% das áreas de garimpo no bioma estavam a menos de 500 metros de rios, lagos ou igarapés, ampliando o risco de assoreamento e contaminação da água por mercúrio.
No sudeste do Pará, Serra Pelada, em Curionópolis, permanece como símbolo histórico da corrida pelo ouro. A área ficou conhecida nos anos 1980 como um dos maiores garimpos a céu aberto do mundo. Já Marabá aparece ligada a garimpos de ouro e manganês, com atenção especial de órgãos de fiscalização devido a riscos ambientais e à proximidade de estruturas estratégicas, como linhas de transmissão.
A pressão também alcança áreas protegidas. Em 2025, ações do ICMBio na Estação Ecológica Terra do Meio, nos municípios de Altamira e São Félix do Xingu, resultaram em R$ 10,8 milhões em multas, apreensão de bens e embargo de 705 hectares. Segundo o instituto, a presença permanente de fiscalização contribuiu para reduzir em 98% o desmatamento na unidade em dois anos.
No rio Tapajós, o Ministério Público Federal recomendou a anulação e suspensão de licenças e títulos minerários para exploração de ouro nas proximidades das Terras Indígenas Munduruku, Sai-Cinza, Sawré Muybu e Sawré Bap’in. O órgão citou impactos como assoreamento, mercúrio, prejuízos à água potável, à segurança alimentar e à saúde de indígenas e ribeirinhos.
Operações recentes também mostram a dimensão estrutural do garimpo ilegal. Em ação coordenada pelo Ibama na divisa entre Mato Grosso e Pará, foram apreendidas balsas, motores, embarcações, combustível e mercúrio, com prejuízo estimado em mais de R$ 36 milhões aos envolvidos.
Entre riqueza mineral, geração de renda e danos ambientais, o desafio no Pará é separar a atividade legalizada da mineração clandestina, ampliar a fiscalização e proteger rios, florestas, trabalhadores e povos da Amazônia.
Autoria: Redação
Imagem: Imprensa Amazônica / Divulgação

