Permissões de garimpo no Tapajós levantam alerta sobre ouro ilegal e contaminação por mercúrio
A permanência de Permissões de Lavra Garimpeira, conhecidas como PLGs, na bacia do rio Tapajós voltou a acender o alerta sobre a origem do ouro comercializado no Pará. Um levantamento aponta que, entre 2022 e 2026, das 540 permissões que declararam ouro na região, 263 não apresentavam sinais de exploração compatíveis com os volumes informados, indício de possível “esquentamento” de ouro ilegal.
A prática consiste em usar uma autorização formal para dar aparência de legalidade ao minério extraído de áreas irregulares, inclusive próximas a unidades de conservação e terras indígenas. Segundo os dados analisados, cerca de 70% da área de garimpo no Tapajós está a até 10 quilômetros dessas PLGs que declararam produção. No período, quase 60% do ouro de garimpo legalizado no Brasil passou por permissões do Tapajós, somando R$ 10 bilhões declarados.
Criadas em 1989 para regular o garimpo de pequena escala, as PLGs deveriam atender atividades de menor impacto. Na prática, parte da exploração passou a operar com estrutura semelhante à mineração industrial, com dragas, escavadeiras e uso de mercúrio.
Os impactos chegam às comunidades Munduruku. Exames citados por pesquisadores da Fiocruz indicam níveis de mercúrio acima do limite considerado seguro em moradores de aldeias às margens do Tapajós. O metal, usado na separação do ouro, contamina rios e entra na cadeia alimentar por meio do peixe.
A Agência Nacional de Mineração já foi alertada por órgãos de controle. A CGU apontou ilegalidades em 2022; a Operação Sisaque, em 2023, envolveu Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal; e, em 2025, o TCU também identificou falhas estruturais que permitem a legalização de ouro de origem irregular.
Autoria: Redação
Imagem: Imprensa Amazônica / Divulgação

